Thibério Menezes

Um dos atletas de maior destaque na história do bodyboard sergipano é, sem sombra de dúvidas, Thibério Menezes. Conhecido pela galera como Thibas, há alguns meses ele mudou-se para a cidade maravilhosa e está impressionando os cariocas com seu surf power, provando que Sergipe é sim fábrica de campeões, mesmo não tendo aqui a qualidade de ondas perfeitas para a prática do esporte. Em entrevista exclusiva ao portal Rock Volume, o atleta de 23 anos fala um pouco sobre sua carreira como e diz o que é preciso para vencer nas ondas. Rock Volume – Conte para a galera como começou sua história com o bodyboard.Thibério Menezes - Minha história no esporte começou no ano 2000 por influência do meu irmão que surfava de prancha. Peguei um bodyboard para acompanhar a galera e ficava naquela vibe, indo surfar com eles. Mas eu precisei superar alguns obstáculos. Na época eu era bem gordinho e, além disso, minha maior dificuldade foi porque eu sou míope, no total são 18 graus de miopia, naquela época eu não usava lente e era um grande desafio conseguir enxergar as ondas. Era surf no tato! RV – E quando começou, você surfava onde?

TM - Sempre peguei onda lá na Sarney. Isso foi importante porque me deu uma bagagem muito boa. O mar é lá fora e quem aprende a surfar ali tem uma vantagem, tem remada. Ganhei um bom condicionamento físico graças a isso. Sem falar que a onda é extensa, dá pra fazer várias manobras e isso foi muito importante pro meu início. 

RV – Quando foi que você começou a competir?

TM – No ano de 2003 corri o meu primeiro campeonato: o Circuito Sergipano. Daí as portas começaram a se abrir porque comecei a conhecer a galera do bodyboard, o pessoal que pegava onda na praia do Robalo, dentre eles Matheus de Morais que estava começando a se profissionalizar.  Quando comecei a acompanhar ele, comecei a evoluir. Foi uma peça chave na minha história como atleta. 

RV – Quais os resultados mais importantes em sua carreira?

TM – No ano de 2006 fui campeão estadual na categoria iniciante. Em 2007 corri o circuito nordestino, em 2008 o circuito baiano. Em 2010, em búzios, fui semi-finalista e encerrei o evento, disputado por nomes como Guilherme Tâmega e Pierre Louis COstes em 5º lugar. Fui  vice campeão em Noronha em 2010 e no ano de  2011 consegui a quarta colocação no mesmo evento. Um resultado que me marcou bastante foi o  4º lugar no circuito carioca 2012, em Copacabana. Aquela era a principal etapa do circuito, peguei um mar muito bom, com ondas de até um metro e meio. No sábado fiz a melhor nota do campeonato com um tubo e sai com um rolo que rendeu um 8,5. Foi um grande resultado ainda mais por ser no Rio de Janeiro que é o berço do bodyboard. 

RV – Você tem uma desenvoltura muito boa em ondas grandes, mesmo tendo sua base de treinamento em Aracaju. De onde vem essa identificação, essa facilidade com esse tipo de onda?

TM - Uma outra peça chave muito importante na minha carreira foi o Felipe Alexandre (in memorian). Ele foi um grande amigo que me levou a conhecer Ponta dos Mangues. A família dele tinha casa lá e eu peguei a bagagem de onda grande ainda muito novo. Lá peguei a base de surfar em mar grande, cavado. Sempre que tenho a oportunidade gosto de reverenciar a memória desse meu amigo que vem de uma família que surfa, que me acolheu e que foi um grande gancho pra me inserir no meio do surf. 

RV - Qual o atleta em que você se espelhava?

TM - Me espelhei muito em Matheus de Morais, pela perseverança de querer conquistar os campeonatos, pelo seu exemplo dele a garra. Eu admirava vários atletas, busco tirar o que cada um tem de bom, me espelho até na galera do surf. O Atleta Jadson André, que surfa de prancha, é um deles. Gostava muito da visão que ele tinha, de sua postura, do compromisso com o esporte. A nível nacional, um atleta que sempre me inspirou foi o baiano Uri Valadão. 

RV – Desde muito cedo você gostou da área de marketing, onde acabou se formando e criou até um blog informativo. Fale um pouco sobre isso.

TM - O que me deu uma visão mais ampla do surf, do mercado, foi quando eu entrei no Portal Ondulação, convidado a fazer filmagens para o site do Leonardo Menezes. Ele me colocava nas surf trips, fui para Pipa filmar os sergipanos que iriam correr os campeonatos no nordeste. Ficamos um mês em Pipa filmando, pegando onda. Comecei a entender como funcionava o surf, as marcas, porque um se destacava mais que o outro, comecei a filmar, fotografar, escrever matérias e foi aí que comecei a me apaixonar pela área de marketing. Comecei então a fazer meu próprio marketing pessoal.  Criei um blog e adorava escrever. Toda semana tinha matéria nova lá. 

RV – Porque você mudou para o Rio de Janeiro e como está sua adaptação às ondas de lá?

TM – Em agosto de 2013 fui para o Rio porque a minha noiva Hengy Santos, é de lá. Ela veio morar aqui em Aracaju, mas não se adaptou e quis voltar. Como eu tinha terminado faculdade, resolvi mudar com ela. A maior dificuldade é a água fria, sem falar que a formação da onda em si é diferente, é uma onda rápida, buraco. Por a onda ser grande assim, muda completamente a forma de você manobrar. É um pouco mais difícil. 

RV – Qual a onda mais irada que você já surfou? 

TM – Thermas!  Sem duvida. Tenho duas temporadas em Noronha, seis meses de Rio, mas nenhum desses ganha pra Thermas clássico.
 
RV – Qual a dica que você dá pra quem quer ter sucesso no esporte? 

TM - Os atletas precisam correr atrás, precisam querer fazer acontecer. Querendo ou não, Aracaju tem onda todo dia. Pra você ter uma ideia, vou chegar no Rio e ficar uma semana sem surfar porque o mar fica completamente flat esses dias. Você quer surfar e não pode. O difícil daqui é que uma hora seu surf estagna. Quando o atleta tá começando, aprende o 360, invertido, batinvert, rolo, ai começa a acertar manobra que é difícil de acertar nesse mar: ars, back flip, invertido aéreo, mas tem uma hora que não tem mais pra onde ir porque o mar todo dia é igual. Todo dia você vai fazer a mesma linha... Por isso eu sempre pegava a minha mobilete velhinha, daquelas antigas, que tinha que pedalar pra pegar, saia lá da Sarney sozinho em busca das melhores ondas e ia para a Caueira, Bananas, Thermas, às vezes não tinha onda, tem que gostar muito mesmo do esporte.

RV – O que o bodyboard representa na sua vida?

TM -  O bodyboard foi um divisor de águas na minha vida. Desde quando eu era pequeno nunca gostei de nenhum desses esportes tradicionais como futebol, não gostava nem de vídeo-game. Era uma criança muito sedentária e  quando eu comecei a pegar onda comecei a gostar, foi o único esporte que me tocou e que abriu portas pra eu viajar, conhecer o Brasil. Graças a ele perdi a timidez, fiz novos amigos, conheci novas culturas, conheci minha noiva que também é bodyboarder, ou seja abriu portas pra tudo, inclusive na minha vida profissional fora do esporte, já que comecei a trabalhar no banco que me patrocinava (UNICRED), e  me inspirou na escolha de minha profissão. Sou formado em marketing e quero atuar com marketing esportivo. Resumindo, o bodyboard foi estopim para o que eu sou hoje como pessoa, como profissional do esporte, tudo o que eu conquistei foi graças a ele, na vida pessoal , profissional e amorosa. 

RV -  Quais as metas para o ano de 2014?

TM – Este ano quero correr as etapas circuito estadual no Rio de Jnaeiro, as do brasileiro, e vir em Aracaju também para correr etapas do sergipano porque eu gosto de correr aqui, estar com a galera. Também quero produzir vídeos e fotografar bastante.

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